Uma conversa sobre técnicas de massagens no Ayurveda


1. Objetivo da massagem ayurvédica:
     Dois são os objetivos principais da massagem ayurvédica, quais sejam: desintoxicar ou nutrir. Uma massagem ayurvédica desintoxicante insere-se em um contexto de tratamento de desintoxicação de um dos doshas (VATA, PITTA OU KAPHA) agravados, ou na aplicação do PANCHAKARMA, que consiste em uma desintoxicação profunda, e/ou em clientes que não apresentem um “transbordamento” (termo do Ayurveda) do dosha em desequilíbrio. Já a massagem ayurvédica nutritiva, grosso modo, pode ser aplicada em todas as pessoas, salvo as que se enquadrem no critério restrição O que determina a aplicação de uma ou de outra técnica é a condição (sintomas) apresentada pelo cliente, o fator idade e gravidez.
2. Como é aplicada:
É importante ressaltar aqui que as técnicas de massagens ayurvédicas não tem a intenção de levar o cliente a um estado de relaxamento profundo, a sensação de bem estar que o (a) cliente sente após a massagem deve-se às manobras e ao uso do óleo (ou pós), os quais nutrem corpo e mente através do toque, da absorção de nutrientes através da pele, do desbloqueio de canais energéticos e drenagem de toxinas para as vias de eliminação. As práticas são aplicadas em um droni (mesa própria do Ayurveda), muitas vezes sem o uso de colchonetes, toalhas e travesseiros; com o cliente consciente no processo.

 
3. Duração da seção:
A seção de massagem vai variar muito, e isto decorre da técnica que está sendo aplicada e do dosha que está sendo tratado.
O dosha VATA precisa ser “assentado”, então a seção de massagem deve ser mais demorada, o uso de “quatro mãos” e muito indicado e as técnicas são mais nutritivas do que desintoxicantes. O dosha PITTA fica no meio do caminho, são técnicas onde se alterna vigor com o relaxamento, a duração vai depender da técnica a ser aplicada, mas sobre tudo estamos aqui “esfriando” a condição do corpo e da mente. O dosha KAPHA deve ser estimulado, pois sua tendência é estagnar e não mover-se; então usamos técnicas onde o (a) cliente é exposto ao vigor do toque e das técnicas e de curta duração (aproximadamente 40 minutos).
4. A origem:
A lógica acima apresentada pouco faz sentido para nós, isto porque se trata de uma técnica inserida no contexto de uma ciência que busca “o conhecimento da vida” e NÃO a cura. Surgida na Índia em tempos remotos, o Ayurveda sobreviveu ao desenvolvimento tecnológico e cultural de eras e eras, bem como ao período em que a Índia foi colônia da Inglaterra, época em que a cultura indiana foi sufocada pela dominação inglesa, sobrevivendo também ao cientificismo ocidental. Atualmente ele vem sendo reconhecida pelo ocidente através de muitos estudos e pesquisas que se debruçam sobre seus tratamentos.


5. Indicações e benefícios:
A massagem ayurvédica extrapola resultados como relaxamento e bem estar, ela se propõe a agir em condições de ciatalgia, insônia, obesidade, irritabilidade, artrites e artroses, constipação e toda a gama de sintomas críveis; isto porque ela se propõe a harmonizar a causa destes sintomas, ou seja, o desequilíbrio dos doshas VATA, PITTA E KAPHA. Originariamente, ou seja, na índia, não deveríamos oferecer uma massagem ayurvédica fora de um contexto de tratamento ayurvédico, onde é feito uma anamnese ayurvédica seguida de orientações específicas para a condição do dosha em desequilíbrio; contudo, por se tratar de um conhecimento bastante ressente no ocidente, sobretudo no Brasil, ela acaba se tornando a porta de entrada para esta condição.
6. Contraindicações:
No quesito contraindicações, sim, há contraindicações; sobretudo se há restrição médica. Mas o próprio Ayurveda impõem restrições em todas as técnicas, sejam elas de massagem ou não; por isto é muito importante uma breve anamnese antes do agendamento da técnica e no dia da massagem. Mas, por exemplo, mulheres menstruadas não devem receber massagem, pois este é um momento de desintoxicação da mulher; aliás, esta condição de gênero é assunto para uma matéria específica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário